Quinta-feira, 27 de Março de 2008

10

Quarto de José e Maria. Luzes apagadas, escuridão total.
Ouve-se um suspiro, depois o silêncio volta. Outro suspiro seguido de silêncio. Surge um terceiro suspiro, forçado e num tom mais elevado.

José
O que se passa? - pergunta, com uma voz ensonada.
Maria
Não sei.... - começa Maria
José
Então dorme. - diz, não deixando Maria continuar.

Um novo suspiro ecoa pela quarto, seguido por um grito de dor.
José abre a luz e esfrega o braço.


José

Porra, para que foi esse beliscão? - pergunta irritado.
Maria
Para ver se afinal sempre tens alguma sensibilidade. Estava com dúvidas. - diz, com ironia.
José
Porra! Aleijaste-me! Afinal o que se passa?
Maria
Não sei....- diz, ficando à espera da reacção de José, vendo que este continuava calado e a esfregar o braço, continuou – Mas, tanta coisa hoje: as mudanças, a Alice, o Tomás e a Madalena. Comecei a ficar com medo.
José
Medo?! Medo do quê?
Maria
Parece que estamos a começar tudo de novo. E isso assusta-me.
José
Assustada!? Tu que odeias rotinas?!
Maria
Foi muita coisa ao mesmo tempo. E sinceramente, a reacção da Alice, angustiou-me muito.
José
Já falámos sobre isso. A moça deve lá ter os seus problemas, mas o mais certo é não ser nada de especial. Aquilo é o início da adolescência. Devias de saber isso melhor que ninguém, afinal dás aulas a miúdos da idade dela.
Maria
Por isso mesmo. Aquilo não foi uma reacção normal. Vi algo de assustador nos olhos dela.
José
Não comeces a fazer disso uma novela. Cá para mim a moça tinha encontro marcado com o namorado, e por isso queria sair sozinha.


Maria dá outro suspiro e acomoda-se na cama. José aconchega-se a ela.


José

Não fiques assim mulher. É de noite, estamos todos cansados, a casa está toda desarrumada e é normal que tudo isso te deixe angustiada. Amanhã é um novo dia. Vais ver como vais acordar melhor.
Maria
Sim. Talvez tenhas razão.
José
Claro que tenho razão. - e, sentido-se encorajado pelas palavras de Maria – Podíamos estrear o quarto novo! Que dizes?! - pergunta enquanto a vai acariciando com as suas mãos.
Maria
Sinceramente, o toque de pensos rápidos no meu corpo não é algo que me excite. - diz, sorrindo.
José
É o resultado de um dia árduo de trabalho! - diz, puxando Maria para si – O qual, tem que ter as suas recompensas. - termina beijando-a.


Os beijos continuam e José aproveita e fecha a luz. Surgem agora outros tipos de suspiros.
De repente um barulho e um grito. José abre a luz e ambos olham em redor. As tábuas da cama não aguentaram e estão agora em cima de um colchão que repousa no chão do quarto.


Maria

Porque é que não deixaste o Tomás montar a nossa cama? - diz, irritada.
José
Porque esta é a nossa cama. Porra, não ia deixar o gajo tocar no nosso leito de amor! - diz, ofendido.
Maria
Amor. - começa, agarrando na cara de José e forçando-o a olhar para os seus olhos – Amanhã pedes ao Tomás para vir montar a nossa cama, e aí de ti que penses em montar sozinho os candeeiros de tecto, ou os apliques de parede.
José
Mas eu gosto de fazer esse tipo de trabalho. - diz, triste.
Maria
Mas já todos nós sabemos, que as tuas mãos são TOTALMENTE desajeitadas, para tudo o que envolve perícia manual. - diz, carinhosamente.

No rosto de José começa a desenhar-se um sorriso malandro... pouco depois, os olhos de Maria começam a brilhar...

Maria
Bom, afinal.....talvez elas não sejam desajeitadas para tudo. - diz, com um sorriso, seguido de um beijo a José.

José volta a apagar a luz. Passados uns segundos, ouve-se mais madeira a cair. Mas desta vez, ninguém liga...
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

9

Madalena entra no quarto de Joana. Joana está divertida a saltar em cima da cama.

Madalena

Joana, o que estás a fazer? - ralha – Já devias de estar deitada à minha espera.

Joana

Só queria ter a certeza que a cama está bem montada. - diz, envergonhada.
Madalena
Como não foi o teu pai a montá-la, penso que estás segura. - diz, sorrindo – Mas só para ter a certeza, dá lá mais um salto.


Joana obedece, divertida.


Madalena

Ok. Agora toca a deitar. Nem te pergunto se já lavaste os dentes. - diz a sorrir – Queres que te conte primeiro a história e depois falamos?
Joana
Como eu posso adormecer enquanto tu me contas a história, é melhor primeiro falarmos.
Madalena
Que sobrinha esperta eu tenho. - diz, mostrando alguma desilusão com a resposta que Joana lhe deu. - Então o que é que queres saber?
Joana
Porque é que a Alice estava triste?
Madalena
Aí está algo que a tua tia vai ter que saber. Mas para já, nenhum de nós sabe. Ela não te contou nada durante as vossas brincadeiras?
Joana
Não. Só me disse que não se importava de brincar comigo todos os dias.
Madalena
Perguntaste-lhe por que é que ela disse isso?
Joana
Não. Eu também, se fosse a ela, não me importava de brincar comigo todos os dias. - responde decidida.
Madalena
Pois claro. Poderia lá haver outras razões? - diz, enquanto pensa que está na altura da sobrinha ter um irmão de forma a ficar menos egocêntrica – Mas não te preocupes com a Alice. Não deve ser nada de especial....e seja lá o que for a tua tia vai saber. Por isso, amanhã diverte-te com ela e não lhe fales nisso. E agora vamos à história. - diz, enquanto agarra num livro e o abre.
Joana
O que é uma depressão?

Madalena suspira e fecha o livro.

Madalena

É quando as pessoas passam muito tempo tristes.
Joana
E tu ficaste assim por causa de um homem? Não percebo.
Madalena
Para ti isso é esquisito, não é? Acontece que esse homem era muito especial para mim. Fazia-me sentir bem, feliz. Fazia-me rir.
Joana
Fazia-te muitas cócegas?

Madalena ri-se

Madalena

Também. Mas fazia mais coisas. E um dia disse que já não podia estar comigo, e por isso fiquei muito tempo triste.
Joana
E porque é que ele já não podia estar contigo?
Madalena
Porque....bom, porque ele tinha outra mulher e decidiu viver só com ela.
Joana
Tinha outra mulher?
Madalena
Sim.
Joana
E isso fazia-te rir? - pergunta, desconfiada.
Madalena
Ahhh...bom....Não! Isso nunca me fez rir. - responde atrapalhada.
Joana
E ele vivia contigo?
Madalena
Não. Vivia com a outra mulher. Mas estava sempre a dizer que ia viver comigo.
Joana
Mas como é que ele te fazia feliz? - diz, sem perceber muito bem as explicações da tia.
Madalena
Ó amor... são coisas complicadas para a tua idade.
Joana
Se calhar ele fazia-te cócegas muito boas. - diz, tentando ajudar a tia.
Madalena
Como é que te hei-de explicar?......Ele fazia a tia sentir-se especial.
Joana
Como se fosses a segunda mulher dele? - pergunta ingenuamente.

Madalena suspira e faz uma pausa, enquanto um pequeno sorriso se vai formando na sua cara.

Madalena

Pois... vendo as coisas assim... É um bocado esquisito, não é? Se soubesse tinha vindo falar contigo, em vez de gastar carradas de dinheiro em psiquiatras e medicamentos. - diz, enquanto dá um beijo a Joana e abre o livro das histórias – Mas agora isso já passou e a tua tia já começou uma nova vida. Por isso, agora vamos à história.
Joana
Posso só fazer mais uma pergunta?
Madalena
Se não for complicada....
Joana
Como é que a Sida passa de um homem para uma mulher?

publicado por Luis às 12:40
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Terça-feira, 18 de Março de 2008

8

Após uns segundo de silêncio:

Maria

Joana, vai lavar os dentes. - ordena.

Joana

É sempre o mesmo. - diz, chateada – Sempre que querem falar sozinhos, mandam-me lavar os dentes. Eu já sou grande. Posso ouvir as vossas conversas.


Todos olham para ela e sorriem de forma condescendente. Joana fica mais irritada e tenta reforçar a sua posição


Joana

Eu até já sei que a tia Madalena está a viver connosco por causa de um homem. - diz, decidida.

Maria

Joana! Quem te manda andar a ouvir conversas que não te dizem respeito?

Joana

Se eu fosse lavar os dentes sempre que vocês me mandam, já os tinha todos gastos. - diz, tentando desculpar-se perante a mãe.

José

Filha, há conversas que os adultos têm que são tão chatas, mas tão chatas, que se as crianças as ouvirem ficam cheias de sono, e têm que ir logo para a cama. E nós sabemos como tu gostas de dormir. - diz, com ironia.

Joana

É verdade que são chatas. Ainda não percebi como é que um homem pode fazer a tia ficar com uma depressão.

José

Ok. Já chega. Fazemos o seguinte: depois de lavares os dentes, podes ir logo para a sala ver desenhos animados com o volume alto. Pode ser?

Joana

Pode. - diz satisfeita.


Joana sai da cozinha, mas volta logo atrás e dirige-se a Madalena.


Joana

Tia, a depressão é uma doença que os homens nos pegam? É como a SIDA?

Maria

Joana! Andas a ver TV a mais. Quando fores para a cama falamos. - diz, num tom ameaçador.

Madalena

Deixa. - diz para Maria – Hoje sou eu que a deito e falo com ela. Pode ser?


Maria abana a cabeça em concordância. Joana sai da cozinha.


Tomás

Então do que vamos falar primeiro? - pergunta divertido- Da reacção da Alice, ou da depressão da Madalena?

José

Não queres ir também lavar os dentes?


Enquanto a conversa se inicia e decorre animada na cozinha, na rua Alice vai caminhando sem destino. Pensa que mais uma vez, estragou tudo! Mais uma vez falou demais! E deixa as lágrimas correrem livremente pela sua cara pálida.

publicado por Luis às 23:17
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7

Depois do jantar, Alice despede-se de todos e prepara-se para sair.


Joana

Amanhã vens outra vez brincar comigo? - pergunta, ansiosa


Alice encolhe os ombros.


Maria

Se calhar os pais da Alice também querem estar com ela!

Alice

Eles não se importam. Desde que eu não os chateie muito, está tudo bem. - responde, baixando instintivamente a cabeça.

Maria

Não me pareces uma rapariga que chateie os pais. - diz, algo indignada.

Alice

Não era isso que eu queria dizer. - diz, atrapalhada – O que eu queria dizer era que eles não se importam....Eles confiam em mim.

José

Então e tens irmãos? - pergunta, tentando mudar de assunto.

Alice

Não. - diz, após uma ligeira hesitação, que não passou despercebida a ninguém.

Maria

Bom. Se tu nos quiseres vir visitar amanhã, e não houver problemas com os teus pais, aparece quando quiseres.

Alice

Está bem. - diz, animada.

José

Então anda, que eu levo-te a casa. - diz, enquanto se levanta da mesa.

Tomás

Sim, e eu vou começar a montar as camas.

Madalena

Se a Maria não se importar de arrumar a cozinha sozinha, eu vou ajudar o Tomás enquanto o José vai e vem. - diz, olhando suplicante para Maria.


Levantam-se todos da mesa, sem repararem na cara de pânico de Alice.


Alice

Não preciso que me vão levar. Eu vou sozinha. Não é longe. - diz, com algum desespero na voz.

Maria

A tua casa é aqui no bairro? - pergunta a Alice

Alice

Não, mas não é longe. - diz, tentando parecer despreocupada.

José

Deixa-te de porras Alice – diz em tom de brincadeira – Eu levo-te sem problemas. Assim pode ser que quando eu cá chegar já tenha as camas todas montadas. - termina, piscando o olho a Alice.

Alice

Não é preciso. A sério. Os meus pais podem pensar que vos dei trabalho, e depois não me deixam vir amanhã.

José

Não te preocupes. Eu falo com eles e combinamos tudo.

Alice

Não! Por favor! Eu vou sozinha! Deixem-me ir sozinha, por favor! - diz, entre soluços.


Todos são apanhados de surpresa e ficam a olhar para Alice. Maria é quem reage primeiro.


Maria

Mas passa-se alguma coisa? O que é mocita? - pergunta carinhosamente.

Alice

Não. Nada. Apenas quero ir sozinha para casa. - diz, tentando recompor-se.

José

Ok. Está tudo bem moça. Se queres ir sozinha, vais sozinha e não se fala mais nisso. - diz, num tom descontraído, tentando aliviar o ambiente.

Alice

Peço desculpas. Mas eu ando cansada. É só isso. - diz, envergonhada.

Maria

Está bem. - diz, enquanto passa a sua mão pelos cabelos de Alice – Já passou.

Tomás

Vais sozinha e está decidido. E aí de alguém que te queira seguir. - diz, a rir.


Madalena olha para Tomás com um olhar carregado, pois este acabou de lhe estragar os seus planos, de seguir a misteriosa Alice.

Alice despede-se mais uma vez e vai-se embora.

publicado por Luis às 22:10
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6

Mais tarde, à mesa:

Maria

José, ainda vais demorar muito? -grita.


Como resposta ouve-se algo a cair no chão, seguido de um palavrão.


Madalena

Sim. Vai! Vamos mas é começar a comer. - diz, começando a servir a comida a Joana e a Alice.


Surge José, com mais uns dedos envolvidos em pedaços de pano.


Maria

Amor, deixa isso. Come, e depois do jantar tentas outra vez. - diz, tentando confortá-lo.

Madalena

Sim, deixa as tábuas tranquilas durante um tempo (diz, num tom de conforto) para que possam digerir calmamente os pedaços de carne que te arrancaram dos dedos - termina, rindo.


Alice e Maria riem-se enquanto José, frustrado se senta e se começa a servir.


Joana

Não ligues a elas pai! Eu depois do jantar vou-te ajudar. - diz, enquanto põe uma garfada de comida na boca - Também posso dizer asneiras sempre que tu te aleijares?


Maria lança olhares de acusação a José.


José

Então Alice, andas na Escola? - diz, tentando desviar o assunto.

Madalena

Deixa a moça comer em paz.

Joana
Sim. Deixa a minha amiga em paz.

José

Poças! Só estava a tentar fazer conversa!

Maria

Nós já sabemos onde é que essas perguntas vão acabar!

José

Vocês também exageram. - diz, indignado - Eu só lhe ia perguntar por possíveis namorados, no fim do jantar.

Alice

Não faz mal. Eu também não ia responder.

Maria
E fazes tu muito bem.

Tomás

Ena! Que bem que cheira por aqui. - diz, assim que entra na cozinha.

José

Porque será que não acho estranho tu apareceres, exactamente na hora do jantar? O que queres?

Tomás

Ser um bom vizinho. Só vim ver como é que as coisas andam e dar uma ajudinha.

José

Obrigado, mas já está tudo descarregado e agora, para as arrumações, não precisamos de ti.


Ouve-se mais uma série de tábuas a cair no chão, no andar de cima. José leva as mãos à cabeça desesperado pelo “timing” das tábuas.


Maria

Tomás, vai buscar um prato, senta-te e serve-te, mas com uma condição.

José

Não!!! Não quero ajuda! Eu sou capaz sozinho!


Ouve-se um ligeiro ruído, de um bocado de madeira, a rebolar no andar superior.


José

Fodddd - diz, desesperado, terminado a palavra em surdina.


Alice, Madalena e Joana, riem-se.

Maria

Como eu estava a dizer. A única coisa que te peço, é que depois do jantar vás ajudar o José a montar as camas.

Tomás

Está combinado. - diz, enquanto se vai servindo e se acomoda, tentando não ficar muito próximo de Madalena - E por falar em combinações. - diz, dirigindo-se a José - Estive a pensar, uma vez que agora somos vizinhos e trabalhamos no mesmo sítio, podíamos começar a partilhar o transporte. Esta semana levo-te eu e para a semana, levas-me tu. Que dizes?

José

Não me apetece ir a semana toda a pé para o emprego. - diz, mal humorado.

Tomás

Deixa-te disso. A Miquelina pode ser velhinha mas ainda aguenta com nós os dois.

Joana
Quem é a Miquelina?

Tomás

É um projecto em formação. - diz, com algum orgulho.


José desata às gargalhadas.


José

Essa foi a melhor descrição que já deste do bicho.  - diz, rindo.

Joana

É um bicho? - pergunta, entusiasmada.

José

Não filha. Embora, por vezes, parece que tem coisas orgânicas, a sair de dentro dela. - diz, fazendo caretas de enjoo.

Madalena

Mas afinal quem é, ou o que é, a Miquelina?

Tomás

É uma mota feita por mim.

Madalena
Por ti? - diz, admirada.

Tomás

Sim. A base é uma Famel de 1974, mas com o tempo tenho-lhe feito umas melhorias. - diz, orgulhoso.

José

Melhorias? - diz a rir - Sempre que a ligas dá a sensação que grita, para que alguém acabe com o seu sofrimento.

Maria

Não sejas assim. - diz a José, voltando-se depois para Tomás - Pelo que tenho ouvido, daqui do teu amigo - diz, apontando para José - tens tido muito trabalho para que a Miquelina funcione de forma ecológica.

José

É verdade. Ainda a semana passada apanhou duas multas por isso. Uma pelo excesso de ruído e outra pelos resíduos que o bicho vai deixando pelo caminho.....Para não falar nos resíduos que deixa, em quem anda nela!

Tomás

Duas multas muito injustas. A buzina avariou a meio do caminho e não consegui fazer com que ela parasse de apitar. Tentei explicar isso ao policia, mas como não consegui deixar de rir, com a situação, o policia julgou que eu estava a gozar com ele e multou-me.


Todos se riram, inclusive, Tomás.

Madalena

Então e a multa dos resíduos?

Tomás

Bom, com essa senti-me ofendido, pois todos os resíduos que são libertados pela Miquelina resultam da combustão de um combustivel 100% ecológico, feito por mim - diz, orgulhoso - e totalmente biodegradável.

José

Talvez o policia se estivesse a referir às peças que teimam em ir caindo pelo caminho. - diz, gozando - Se realmente queres que eu ande na Miquelina uma semana contigo, tens que te esforçar muito para me convenceres.

Tomás

Durante uma semana inteira, prometo que só me vês no trabalho.

José

Ok. Está combinado. Segunda-feira às oito e um quarto estou à porta da tua casa.

publicado por Luis às 00:02
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

5

Ao final da Tarde:

Maria vai até ao quintal, onde Joana e Alice se encontram a brincar com caixotes de papelão vazios. Nenhuma delas se apercebe da chegada de Maria.


Joana

Senhora Dona Alice, olhe que temos que nos despachar para irmos ao cabeleireiro. Repare neste meu aspecto. Pareço mesmo a tia Madalena. - diz, para Alice.


Maria ri-se.

Maria

Andas a ver novelas a mais. - diz, para Joana.


Joana fica atrapalhada.
Maria dirige-se a Alice


Maria

Alice, tens a certeza que os teus pais não se importam que tu jantes connosco? Eles nem nos conhecem! Podem ficar preocupados. Não me queres dar o número de telemóvel de um deles, para os descansar?

Alice

Não é preciso. - diz, atrapalhada e ficando com as faces vermelhas - Eu já lhes telefonei com o meu telemóvel, e expliquei tudo - tira do bolso algo que parece um telemóvel, mostra-o rapidamente a Maria e volta a colocá-lo no bolso - Eles confiam em mim. Está tudo bem.

Maria

E não queres que eu fale com eles? - insiste.

Alice

Não. Só me pediram que depois do jantar fosse logo para casa.

Joana

Depois do jantar posso ir contigo ver onde é a tua casa? - pergunta a Alice.

Alice

Não! - responde rapidamente - Depois é muito tarde, os meus pais estão cansados e não vão querer visitas. - diz depois, de uma forma mais calma.

Maria

E os teus pais trabalham no quê? - pergunta, intrigada.

Alice

São...médicos. - diz hesitante - E hoje calhou estarem os dois de serviço.

Maria

Bom. Está bem. - diz, não convencida com a conversa - Sendo assim, toca a ir para dentro lavar as mãos e sentar à mesa.


Maria volta para dentro de casa. Joana e Alice olham uma para a outra. Joana repara que algo de estranho se passa nos olhos de Alice.


Joana
O que tens?

Alice

Nada. Vamos arrumar isto e vamos comer. - diz, enquanto começa a agarrar em vários brinquedos espalhados pelo chão do quintal.

Joana

Espera. Em primeiro temos que desmarcar a nossa ida ao cabeleireiro.  - reage, assumindo novamente a sua personagem da brincadeira - Dá-me o telemóvel que eu falo. Ele não vai gostar nada disto. - diz, enquanto tira o telemóvel do bolso de Joana, fingindo depois marcar números e falar com alguém, com o telemóvel de brincar.


Na cozinha:

Maria

Aquela Alice, parece boa moça, mas.... - deixa pendurada a frase.

Madalena
Mas o quê?

Maria

Nada. Deixa.


Maria olha para o quintal, onde Alice ajuda Joana a arrumar os brinquedos. Tenta pensar em possíveis explicações para a mentira e atrapalhação de Alice.


Maria

Mostrar-me o telemóvel de brincar da minha filha, como se fosse o dela?! - diz, baixinho.

Madalena
O quê?
Maria volta-se para Madalena.


Maria

Nada! Embora chamar o José. Será que ele já acabou de montar as camas?

Madalena

Já não o ouço a dizer asneiras, há uns cinco minutos, pelo que se calhar, já vamos dormir nas nossas camas.


Entretanto chega José à cozinha com vários dedos envolvidos em pedaços de pano.


Maria

O que é que te aconteceu, amor? - diz preocupada.

José

Nada de especial. - diz orgulhoso - apenas fiz o meu trabalho de homem da casa e, graças a mim, todos temos uma cama onde merecidamente podemos repousar do dia de hoje. Foi um trabalho duro, mas compensador.


José levanta a tampa de um tacho para ver o que é o jantar.


José

Mereço por isso comer o resto da piza que sobrou do almoço. - diz, enquanto volta a pôr a tampa no tacho.


Ouve-se um ruído de algo a cair no andar de cima.


Madalena

Se o teu jeito para a bricolage se mantém, aquilo foi uma das camas a desmoronar-se e com ela, a remota possibilidade de comeres outra coisa, que não o belo jantar que eu e a tua mulher preparámos.

publicado por Luis às 12:37
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4

Ao almoço:


José

Este almoço foi uma maravilha! - diz, enquanto massaja a barriga.
Joana

Foi pois. Muito bom!

José

Tenho que te dar os parabéns, Madalena. Está mesmo excelente! Agora, que vives connosco, tens que fazer mais disto.

Maria

Amor, o cansaço anda-te a fazer sonhar? - pergunta com ironia

Madalena

Sim. Deixa-te de conversas e arruma os cartões onde as pizzas vinham. Sabes bem que hoje foi uma excepção, dada a confusão que por aqui vai.

José

Está bem. Não precisam de ficarem irritadas. - diz enquanto se levanta e começa a tirar os cartões das pizzas da mesa - Para a próxima sou eu que pago e vou buscar as pizzas.

Maria

Está bem. Na próxima mudança de casa que fizermos, tratas tu disso. Até lá, limitámos-nos à comida saudável, feita pela tua querida mulherinha.


José agarra num pedaço de pizza deixado por Joana e com toda a delicadeza, coloca-o todo na boca, tentando, de olhos fechados, sentir por uma última vez, todos os ingredientes calóricos nele presente.

Enquanto Joana e Alice saem em direcção ao quintal, para continuarem com as suas brincadeiras, Madalena acorda José da sua prova culinária.


Madalena

O que é que se passa com o teu novo vizinho? Não me parece muito normal. - pergunta a José.

Maria

É um bom moço. Tem um coração do tamanho do mundo.

José

É verdade. Maior que o coração dele, só a paciência que eu tenho para o aturar.

Maria

Não sejas assim. Sabes bem que ele não é assim tão mau como o estás a pintar. Quantas vezes já me contaste coisas que ele fez que te deixaram impressionado?

Madalena

Impressionado? Olha que para impressionar o meu irmão, tem que ser algo de muito especial!

José

É verdade que ele, às vezes, me surpreende pela positiva. Mas depois temos os outros 95% do que ele é: Irresponsável, distraído, lunático, etc.. O homem vive num mundo de fantasias, de espíritos, onde tudo tem que ser positivo e tudo tem solução. Infelizmente o mundo não é assim, e essa sua visão, irrita-me!

Madalena

Mas nota-se que ele te admira, mesmo sabendo que tu pensas tudo isso dele. - diz, para José.

José

Aí está a prova de que ele é louco.

Maria

Não digas isso. Ele admira-te por tu seres honesto com ele, e porque ele sabe que também tu, tens uma admiração por ele, mesmo que não o queiras admitir.

José

Bom, tenho mais que fazer do que estar aqui na conversa. Ainda tenho que montar as camas e começar a colocar as luzes nos tectos. - diz, saindo da cozinha.

Madalena

O meu irmão cheio de pressa para ir montar camas?! - diz, admirada, assim que José sai -  Afinal talvez o Tomás não seja assim tão mau, como parece. Acho que lhe vou dar uma segunda oportunidade. - diz, olhando para Maria.


Maria sorri de volta.
publicado por Luis às 00:03
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

3

São interrompidos por Joana, a filha de 5 anos de José e Maria, a qual chega ainda a esfregar os olhos.

José
Então filhota, acordaram-te? - diz, enquanto a agarra ao colo.
Joana
Já estamos na casa nova?
José
Claro, olha bem para ela! Não é melhor que o apartamento? - diz, enquanto rodopia, com ela nos braços.
Joana
Aqui não temos vizinhos barulhentos por cima, não é pai?
José
É verdade. Só temos de lado - diz olhando para a casa do vizinho, onde se ouve um extintor a trabalhar.
Maria
Olha. Vai brincar no teu jardim novo, enquanto nós arrumamos o resto das coisas. - diz, enquanto a tira dos braços de José e a põe no chão.

José olha, espantado, para a casa de Tomás, de onde agora, sai um fumo branco e se continua a ouvir o barulho de um extintor.

Joana
Quem é aquela menina?- pergunta a Maria, apontando para uma adolescente que se encontra afastada de toda aquela confusão, mas suficientemente perto para já ter uma ideia sobre a personalidade dos novos moradores do bairro.
Maria
Não sei. Porque não vais lá perguntar?

Joana dirige-se a Alice, uma adolescente de 13 anos de olhos tristes.

Joana
Olá. Quem és tu?
Alice
Se eu conseguisse responder a essa pergunta seria feliz. - diz, meio a sorrir.
Joana
És esquisita. Gosto de ti. Queres vir brincar comigo?
Alice
E eles? - diz apontando para a confusão.
Joana
Eles também são esquisitos, mas não me parece que queiram brincar connosco.

Alice ri-se da sinceridade de Joana.

Alice
Acho que também gosto de ti.
Joana
Anda. Vamos brincar às bruxas. Nós somos as bruxas e eles são os nossos criados e nós vamos mandá-los acartar coisas para a nossa casa nova. - diz, enquanto agarra nas mãos de Alice e juntas correm para o quintal da nova casa.

Mais tarde, no andar superior da casa nova, Maria e José estão no seu novo quarto. Maria está a arrumar roupa e José está a montar a cama. Maria olha pela janela (a qual dá para o quintal) e pára um pouco para ver Alice e Joana a brincar.

Maria
Tens reparado como aquela rapariga, Alice, se dá lindamente com a nossa filha? - diz a José.
José
Sim. Gostei particularmente quando ela disse, à nossa filha, para deixar de me chamar escravo pançudo. - diz, enquanto vai aparafusando algo.
Maria
O que achas de a convidarmos para almoçar?
José
Tudo bem. Mas conheces os pais dela?
Maria
Não. Mas vou falar com ela.

Maria desce, e vai para o quintal, dirigindo-se a Alice. Alice levanta-se do chão e olha com alguma timidez para Maria.

Maria
Alice, queres almoçar connosco? É uma forma de te pagarmos o facto de teres aturado esta reguila toda a manhã. - diz enquanto faz festas na cabeça de Joana - Achas que os teus pais se importam?
Alice
Não quero maçar. - diz, enquanto encolhe os ombros.
Maria
Não maças nada. Queres que eu fale com os teus pais?
Alice
Não é preciso. Eles não estão cá hoje. Só voltam…bem tarde….muito à noite. - diz, meio atrapalhada.
Maria
Estás sozinha? Bom, se é assim e se achas que eles não se importam, até podes cá jantar. Está combinado?

Alice diz que sim com a cabeça.
Maria regressa para junto de José, um pouco apreensiva. José encontra-se sentado a tentar encaixar as tábuas da cama.

Maria
Há ali qualquer coisa que não me cheira bem.
José
Já começaste a fazer o almoço? - diz, enquanto cheira o ar.
Maria
Deixa-te disso! Estou a falar da Alice. Quando lhe falei dos pais….não sei…algo de estranho se passa.

José levanta-se e dirige-se à janela do quarto.

José
Mais estranho do que aquilo? - diz enquanto aponta para o quintal da casa de Tomás.

Aí vê-se Tomás, em tronco nu e em aparente meditação, rodeado de cristais tendo por cima de si uma pequena pirâmide de plástico, a qual está presa ao alpendre da sua casa).
Maria chega junto de José, ficando os dois alguns segundos a olhar para Tomás.

José
Temos que pensar em mudar de casa, o mais rapidamente possível.
publicado por Luis às 16:53
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Cá fora, enquanto os homens das mudanças continuam a carregar caixotes para dentro de casa, e José agarra noutra televisão, surge junto dele Tomás, o seu novo vizinho.

Tomás aparenta ter a mesma idade que José, tem um rabo de cavalo, é magro, usa roupa clara e larga, e sandálias.


Tomás

Então? Tá'se bem? Querem uma ajuda? - pergunta a José.


Entretanto chega Madalena.


Madalena

Não me tinham dito que iam ter um vizinho assim tão simpático- diz sorrindo para Tomás.

José

Ainda não o conheces! Não o deixes levar os caixotes que têm comida! - diz num tom sério.

Tomás

És um brincalhão. - diz para José - Como está? - diz, dirigindo-se a Madalena - Sou o Tomás, amigo e colega de trabalho, aqui do José.

Madalena

Como é que nós ainda não nos tínhamos conhecido? -diz, sorrindo.

José

Não conheces já falhados que chegue? - diz, enquanto põe nos braços de Tomás um caixote e se prepara para dar outro a Madalena.

Madalena

Não ligue ao que ele diz, é só da boca para fora. Eu sou a Madalena e é um prazer conhecê-lo. - diz, ao mesmo tempo que José apressadamente, lhe põe um caixote nos braços.

Tomás

Bom, agora que já nos apresentámos que tal deixarmos isso do você. Afinal, tu pouco mais velha do que eu deves ser. - diz, enquanto os três se dirigem, carregados, para o interior da casa.

Madalena

Ahhhhh…..Pois….Estes fatos de treino realmente tornam-me mais madura. - diz, meio envergonhada.

Tomás

E eu sempre tive um fascínio por mulheres mais velhas do que eu. - diz, com ar de conquistador.

Madalena

Já disse que é do fato de treino...e talvez do cabelo por arranjar. - diz, um pouco irritada.

José

Como é que tu consegues conquistar mulheres, sem pagar? - diz a Tomás.

Tomás

O que te vale é que eu a ti perdoo-te tudo. - diz a José- Sabias que foi graças a ele que somos vizinhos? - pergunta a Madalena - Bom...a ele não. À Maria. Foi ela que me falou do belo negócio que iam fazer, com a compra desta casa, e me informou que, mesmo ao lado, existia este belo lote que agora é meu. Mas a preocupação deste amigalhaço comoveu-me: “Que era longe do emprego!” “Que era uma casa grande demais para uma só pessoa!” “Que não me queria ver também aos fins de semana!” Como se eu acreditasse nisso! E agora aqui estamos. Prontos para começar a viver uma nova etapa da nossa vida. Juntos e felizes. Quem sabe até morrermos! - diz, enquanto se encosta a José.


José, depois de ouvir Tomás, dá meia volta e dirige-se para o carro das mudanças, com um caixote nos braços.


Madalena

José, onde é que vais com os caixotes? Estás parvo ou quê? - grita.


José dá novamente meia volta e entra em casa, dirigindo-se à sala onde está Maria a dar instruções, aos homens das mudanças, sobre o sítio correcto onde devem deixar os móveis.


José

Fica a saber que o facto de ter que aturar este gajo para além do emprego (diz, enquanto aponta para Tomás que está na conversa com Madalena na cozinha) te vai ainda custar muito caro - diz para Maria.

Maria

Deixa de ser implicante! Ele não é assim tão mau! Até a tua irmã ficou interessada nele...

José

Queres melhor argumento que esse?

Maria

Deixa-te disso, e toca mas é a trabalhar! A Joana ainda dorme no carro?

José

Sim. Quanto mais dormir mais podemos trabalhar sossegados.


Ouvem-se barulhos, vindos da cozinha, de coisas a partir. José e Maria dirigem-se para lá a correr.


Madalena

Mais uma piada estúpida dessas, e será com algo mais pesado que levas. - diz, irritada, a Tomás, ameaçando-o com uma saladeira de cristal.

Tomás

Mas que mulher mais sensível! Há quanto tempo não tem um homem? - pergunta a José.


José chega a tempo e evita que Madalena envie a Saladeira, contra Tomás. Madalena sai de seguida da casa.


Tomás

Espero que ela não tenha partido nada de importante…. - diz, olhando para os cacos no chão da cozinha.

José

Não! Trata-se apenas da loiça onde costumávamos comer. É apenas uma questão de passarmos a comer em loiça de plástico! - diz irritado.

Tomás

Porreiro! Agora até nisso vamos ser iguais. - diz, com uma sincera felicidade.


Maria evita que José envie o saladeira, contra Tomás. Agarra depois no braço de Tomás e trá-lo para fora de casa, deixando José a dizer asneiras na cozinha. Maria tenta dissuadir Tomás de continuar a ajudá-los, aí apercebe-se de algo estranho na casa ao lado, na casa de Tomás.


Maria

Tomás, se calhar o melhor é ires ver porque razão está a sair fumo da tua janela, e deixares as arrumações por nossa conta. - diz, apontando para a casa de Tomás.

Tomás

Aquilo não é nada. Trata-se apenas de incenso para purificar a casa.

Maria

Tens a certeza que não andas a cheirar incenso a mais?

Tomás

Bom, talvez seja melhor ir lá tirar uns paus, porque não quero que chamem os bombeiros, outra vez. - diz, após olhar para Madalena, a qual vinha carregada com um bengaleiro.

Maria

Outra vez?! - diz, enquanto Tomás corre para casa.


José junta-se a Maria e a Madalena, e ficam os três, no seu pequeno quintal, a olhar para o fumo negro que sai da casa de Tomás.

publicado por Luis às 16:22
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Chega uma carrinha de mudanças, seguida de dois carros ligeiros, a um bairro de vivendas. Param junto a uma casa. Abrem-se as portas dos carros e, um pequeno carreiro com pessoas carregadas com caixotes, forma-se, entre os carros e a casa.

Maria, mulher com 32 anos, entra em casa, coloca o seu caixote no chão e olha em volta, feliz.


Maria

Chegámos, finalmente! A nossa casa! A nossa linda casa!


José, seu marido, entra atrás dela, com uma televisão nos braços.


José

Se os gajos do banco te ouvem a dizer essas blasfémias, aumentam-nos os juros.

Maria

Olha lá! Por que raio é que a televisão tem que ser o primeiro electrodoméstico a entrar aqui?!

José

Por ordem de importância, minha cara! Por ordem de importância! Repara que toda a mobília da sala, tem que ser colocada de acordo com o electrodoméstico central.

Maria

E a cozinha? Não é prioritária?

José

É já a seguir! Só posso com uma televisão de cada vez! (queixa-se, enquanto se dirige para a sala)


Entra Madalena, irmã de José.


Madalena

Onde queres que eu ponha isto? (diz a braços com um caixote)

Maria

Deixa aí tudo no chão que eu vou arrumando.

Madalena

O que é que o José está a fazer?

Maria

A ver qual o melhor sítio para a televisão. - diz, terminando com um suspiro.


Ouve-se a televisão a funcionar e um grito de alegria. Maria e Madalena dirigem-se para a sala.


José

Já temos cabo! - diz enquanto vai estudando, com cuidado, qual o melhor sítio para ver a TV.


Maria dá-lhe um beijo.


Maria

Se dentro de 30 segundos não estiveres a descarregar caixas, podes considerar este beijo como o toque mais intimo desta semana.

José

Ok. - diz, enquanto sai rapidamente.

Madalena

Uau! Gostava de ter um homem assim tão obediente....bom, como isto anda, para já contentava-me apenas com um homem...qualquer homem. - diz, triste.

Maria

Deixa-te disso! Agora que vais viver connosco uma temporada, eu vou-te dar umas dicas sobre como dominar os homens. - diz a sorrir e piscando o olho.

publicado por Luis às 15:16
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E agora?
Merecemos 200 chicotadas por termos pensado que não sabias o que fazer à história
Merecemos 500 chicotadas por pensarmos que a série acabava aqui
Temos que depositar largas quantias de dinheiro da tua conta para que nos possas perdoar
A ciática ainda chateia, e o trabalho também, pelo que vamos a ver quando sai o próximo.
Pois, mas eu penso que continuas sem saber o que vai sair daqui.
E estas interacções ainda continuam!?
  
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