Terça-feira, 1 de Abril de 2008

11

Manhã do dia seguinte:

José desce as escadas e, por entre caixotes vazios, dirige-se à cozinha. Ensonado, abre a porta do frigorífico mas não encontra nada. Abre armários, caixas, mas mais uma vez, nada que lhe agrade. Repara entretanto, num ligeiro murmúrio que vem da sala. Dirige-se para lá e nota que a televisão está ligada e um adulto está sentado numa das poltronas, de costas para si.

José sorri enquanto pensa no cuidado que a sua irmã teve, em descer para a sala e estar agora ali sossegada a comer algo, vendo televisão com o volume no mínimo, tentando não acordar ninguém...Pensa na coragem que ela teve em aceitar o seu desafio e vir morar com eles. Recua até à infância comum e imagens de harmonia surgem no seu cérebro. Uma certa nostalgia invade José e com ela uma ideia e um sorriso.

Pé ante pé, dirige-se devagarinho, para a poltrona, tentando colocar-se estrategicamente numa posição ideal para a assustar. Quase que não consegue resistir ao riso, mas controla-se, tal como quando era criança, e este era um dos seus passatempos preferidos. Haverá melhor forma de lhe dar as boas vindas a esta nova vida? Mas ia fazer as coisas como deve de ser. Não ia gritar, isso era demasiado imaturo, ou talvez não o fosse….Mas era melhor não, pois iria acordar os outros. Um beijo! Era isso, iria surpreendê-la com um beijo carinhoso!

Quando acha que já está em posição, ataca rápido como um raio….Talvez demasiado rápido! Sente que algo não está certo, no momento em que, instintivamente, fecha os olhos para dar o beijo. Uma estranha imagem surge... e não é uma imagem agradável para José! Mas ele não consegue parar o seu corpo, que segue em direcção ao alvo!! A sua aflição aumenta no momento em que os seus lábios tocam na face... em vez de uma pele macia e suave, sente algo de áspero que lhe pica os lábios. Reabre rapidamente os olhos, ao mesmo tempo que a pessoa beijada salta do sofá e grita, enquanto assume uma posição defensiva. O pânico invade José e começa também a gritar.
José olha para Tomás. Tomás olha para José. No chão da sala jazem agora bocados de um copo e de uma tigela, acompanhados por leite derramado, restos de fiambre, um prato de plástico junto do qual, mais pedaços de vidro, de um frasco de doce, repousam. Durante uns segundos, silêncio total. Apenas se ouvem os pingos de leite, que continuam a cair da poltrona para o chão. Depois, ouve-se o barulho de pessoas a descerem apressadamente as escadas em direcção à sala.

publicado por Luis às 17:54
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2 comentários:
De Violeta a 2 de Abril de 2008 às 04:41
ah ah ah, n posso! :D
De danitri.® a 5 de Abril de 2008 às 11:17
he he he, que cena.

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Merecemos 200 chicotadas por termos pensado que não sabias o que fazer à história
Merecemos 500 chicotadas por pensarmos que a série acabava aqui
Temos que depositar largas quantias de dinheiro da tua conta para que nos possas perdoar
A ciática ainda chateia, e o trabalho também, pelo que vamos a ver quando sai o próximo.
Pois, mas eu penso que continuas sem saber o que vai sair daqui.
E estas interacções ainda continuam!?
  
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