Terça-feira, 13 de Maio de 2008

18

 

Alice sai da casa de Mariana, comendo uma sandes, e imediatamente se apercebe da presença de Madalena, sentada no meio das velhas. Madalena levanta-se de imediato. Alice dirige-se a Madalena...”Como é que ela se atreveu a segui-la?!” Como a Odeia!

 

Alice

O que está aqui a fazer? – pergunta irritada.

Velha1

Eu não lhe disse q’esta moça é só fezes?

 

Madalena fica sem reacção. Alice sente os olhos a encherem-se de lágrimas de raiva, mas não lhe vai dar essa satisfação. Volta-se, e dirige-se para uma das casas, na qual entra. As velhas continuam a falar com Madalena, mas esta não as ouve. Segue em direcção à casa onde Alice entrou, mas dá com a porta fechada. Hesita uns segundos, mas acaba por bater. Nada acontece. Volta a insistir. Finalmente a porta abre-se, e Madalena dá de caras com uma mulher. Uma mulher cuja idade, Madalena, tem dificuldade em detectar. Tem na cara duas enormes covas, no fundo das quais se vêem uns olhos, que lutam para se manterem abertos perante uma luz, à qual, parece que não estão habituados. Tem uns cabelos, que deveriam ser lisos, e que se entrelaçam ao acaso, numa mescla de cabelos brancos e pretos.

 

Eva

O que deseja? – diz, arrastando a voz

 

Madalena não consegue evitar uma careta, perante o intenso cheiro a álcool, que sai com as palavras.

 

Madalena

Peço desculpas. Provavelmente acordei-a. Gostaria de falar com a Alice, se fosse possível.

 

Assim que Madalena acaba de falar, Eva volta-se, deixando a porta aberta. Segue cambaleando, para uma divisão da pequena casa, na qual, Madalena vislumbra algo que lhe parece uma cama, onde já se encontra deitado uma outra figura. Antes de cair na cama, Eva fecha a porta do quarto, deixando Madalena sozinha, à entrada da casa.

Madalena sente-se num mundo que não lhe é estranho... Um mundo que conhece bem! Só nunca tinha estado, fisicamente, tão dentro dele! Até então, este mundo existia apenas nas histórias de vida, que ouvia dos seus doentes, como Psicóloga do Centro de Saúde Mental dos Hospitais, no de Lisboa e agora no de Beja.

Começa a entrar pela casa, a qual emane um forte cheiro a álcool.

Para além da pequena sala, existe uma cozinha, o quarto onde Eva entrou, e mais duas divisões. Uma será certamente, a casa de banho, a outra, o quarto de Alice. Existe ainda uma outra porta, por onde entra claridade pelas frestas, que dá de certeza, para um pequeno jardim.

Ao olhar para todos os cantos daquela casa, Madalena não consegue deixar de sentir, que ali, há algo de estranho. Existem algumas garrafas de cerveja espelhadas, em cima da mesa da cozinha, mas, tirando isso, tudo parece estar demasiado arrumado! Não era esta a imagem que tinha, de uma casa de toxicodependentes!

O cheiro intenso a álcool vem principalmente, ou exclusivamente, do quarto onde Eva entrou.

Madalena ouve, vindo de umas das divisões desconhecidas, um ligeiro e contínuo ruído. Resolve arriscar e bater levemente na porta.

 

Madalena

Alice? Posso? – pergunta, baixinho.

 

Não recebe nenhuma resposta. Volta a insistir, mas mais uma vez, apenas o silêncio. Começa então a abrir, muito devagar, a maçaneta da porta, enquanto vai espreitando. Vê Alice sentada em cima de uma pequena cama, com uns "headphones" nos ouvidos. Tem a música tão alta, que Madalena, agora dentro do quarto, consegue ouvi-la. 

Alice finge não a ver. Madalena olha em seu redor. Um quarto com tudo pequeno: a cama, o roupeiro, a mesa, o espelho. Nas paredes não há posters de estrelas da televisão, cinema, ou da música. Há sim imagens, tiradas de revistas, que mostram paisagens e sobretudo animais. Madalena repara no forma perfeita, de como tudo se encontra arrumado. Alice não é, sem dúvida, uma adolescente normal.

 

 

publicado por Luis às 23:01
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6 comentários:
De Lara a 14 de Maio de 2008 às 14:55
dou um pulo de felicidade da cadeira sempre que vejo que há um post novo...porque sempre tanto tempo para continuar?
De Luis a 14 de Maio de 2008 às 15:16
Porque, infelizmente, não me pagam para isto.
De isa a 18 de Maio de 2008 às 15:28
ena pá isto de ter que esperar pela próxima parte dá cá uns nervos... é que fico sempre com água na boca à espera do próximo capítulo!!!

Isa
De EMMB a 19 de Maio de 2008 às 11:58
E pronto já sei como isto vai acabar, a Madalena vai ter que acabar por adoptar a Alice!!! Tem de ser!!! A Alice é demasiado boa menina para viver naquele lugar!!
Infelizmente temos no nosso país demasiados casos iguais aos da Alice!!
De Alexandra a 19 de Maio de 2008 às 13:22
eu sei que não há tempo para tudo e que o prazer de escrever fará com que um dia cá esteja mais um "capítulo", por isso, quando tb. estou ansiosa pela continuação... aguento-me; força aí que vale a pena!
De metro madrid a 12 de Janeiro de 2011 às 16:21
Olá, estou a estudar Português e eu aconteceram em seu blog que bom!

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Pois, mas eu penso que continuas sem saber o que vai sair daqui.
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